Wednesday, April 9, 2008

Sobre Torneiras

Alguns dias atrás eu estava observando alguns detalhes aqui em casa, quando uma coisa me chamou a atenção. Durante minha estadia nos EUA, meus pais resolveram reformar partes da casa, e quando eu voltei, encontrei meu quarto totalmente reformado, além de reformas em um dos banheiros, e pequenas mudanças do lado de fora da casa. O detalhe que me chamou a atenção, apesar de já fazer parte da casa antes, mas que depois da reforma acabou me deixando bastante intrigado, foram as torneiras.

A maior parte dos chuveiros e pias aqui em casa possuem pares de torneiras, e sempre uma com algum sinal de cor azul, e a outra de cor vermelha, o que supostamente indicaria água quente e água fria, não nesta ordem. Desde que eu moro nesta casa, o que faz MUITO tempo, nunca houve água quente nas torneiras das pias, e nem água fria nos chuveiros (apenas quando os chuveiros queimavam, ou o disjuntor desarmava, ou no caso do chuveiro desligado), portanto as duas torneiras nunca foram necessárias. E eu sempre imaginei, que os pares de torneiras um dia se tornariam totalmente funcionais, com a instalação de um suposto aquecedor (elétrico, ou solar, ou nuclear, ou gravitacional,ou positrônico, ou a gás, ou transdimensional, ou de anti-matéria, etc...). O fato é que o aquecedor nunca fez questão de dar as caras aqui em casa, e nem foi ao menos procurado, pelo menos não nos últimos 27 anos.

Ao notar a reforma do banheiro, e constatar uma translação e rotação na posição da pia, e consequentemente a mudança das torneiras do lugar. E o mesmo acontecendo com o chuveiro, e suas torneiras, conclui que houvera a mudança no sistema de encanamentos do suposto recinto. Mas o que me intrigou foi que os pares de torneiras ainda continuam presentes... Eu não acho que vá haver a instalação de nenhum aquecedor aqui em casa nas próximas décadas. Mas mesmo assim, as torneiras "azul" e "vermelha" foram mantidas. O mais estranho é que ao abrir a segunda torneira, não há o menor sinal de fluxo de água... Fico imaginando se a torneira não estaria ligada a um pedaço de cano isolado dentro da parede, entre dois pontos aleatórios, sem cruzar nenhuma conexão de água. Antes da reforma, pelo menos costumava sair água, mesmo que de maneira inconstante, das torneiras secundárias, agora não há nem fluxo de ar...

Esse não é um problema apenas da minha casa. Já vi várias casas com pares de torneiras, que deveriam ser de água quente, e de água fria, mas que no fim das contas não possuiam nenhuma funcionalidade além da redundância, e às vezes nem isto, sendo apenas um detalhe estético. Um gasto inútil de recursos monetários na minha opinião. Vou tentar descobrir a funcionalidade dessas torneiras com meus pais, afinal eles devem ter feito isso por algum motivo sinistro, desconhecido pela minha mente...

Isso me faz lembrar do primeiro problema técnico que eu tive que resolver quando cheguei aos EEUU. Não sabia como a torneira do hotel funcionava, e fiquei um tempo tentando descobrir como fazer pra que a água brotasse daquele aparato, que na época, parecia alienígena. Alguns minutos de ponderações depois, acabei descobrindo o segredo. Não existem pares de torneiras lá, e na mesma torneira vc consegue regular o fluxo de água quente e fria, e deixar a água na temperatura mais confortável para o indivíduo. Ao se girar a torneira da esquerda para direita, ou vice-versa, você seleciona se quer a água mais fria ou mais quente (na maioria dos casos), e para controlar o fluxo de água desejado, você deve levantar ou abaixar a torneira. Todas elas parecem alavancas com dois graus de liberdade. Eu demorei alguns minutos girando as torneiras-alavancas de um lado pro outro, me perguntando se por acaso a água do meu quarto não havia acabado, e quase indo reclamar na recepção do hotel. Mas, felizmente, descobri o segundo grau de liberdade da torneira-alavanca antes de passar vergonha na recepção. :P

Após minha mudança para o primeiro apartamento, tive outro problema com torneiras. A torneira-alavanca da pia da cozinha ficava pingando. E todo dia, eu tinha que descobrir a posição exata que ou fazia a água parar de vazar, ou pelo menos minimizava a taxa de pingos por unidade de tempo. Claro, tal ponto de mínimo variava aleatariamente e após cada uso do aparato. Ou seja, após lavar as vasilhas, havia um divergente negativo de minutos, durante o processo de busca pelo elusivo ponto de mínimo.

Finalmente, quando mudei pra segunda casa, outro problema com torneiras. Desta vez com a torneira-alavanca do chuveiro-banheira. Ao invés de dois graus de liberdade, essa só tinha um grau de liberdade. Nos primeiros momentos, eu fiquei tentanto girar a alavanca de um lado pro outro sem sucesso, ela nem se mexia. Tanto o fluxo de água, quanto a temperatura da água eram controlados apenas por um grau de liberdade. Você puxava a torneira para cima, e a água começava a jorrar, e se você levantasse mais a água ficava mais quente, e se abaixasse a água ficava mais fria. Além disso tinha uma trava, que dependendo da posição fazia a água ou sair pela torneira para encher a banheira, ou então sair pelo chuveiro. Parecia óbvio, mas foram alguns minutos até o momento de elucidação sobre o funcionamento do sistema torneira-alavanca-trava-banheira-chuveiro. Orgulho-me de ter conseguido, sem ter necessitado de ajuda de ninguém, ou em outras palavras, sem ter passado vergonha. :P

Se você leitor, algum dia resolver visitar os EUA, já sabe como as torneiras funcionam por lá, e se você estiver com sede, e a pessoa pegar um copo e enchê-lo com água da torneira e te oferecer, não se assuste, é assim que funciona na maioria das vezes, e ninguém morre com cólera...

P.S.: O último texto foi o número (6 x 6 x 6).

6 comments:

MegMarques said...

Hehehe, na Europa eu tinha problemas em achar o mecanismo de descarga nos vasos sanitários. Alguns vasos tinham pedais, outros tinham botões na parede ou no próprio vaso, outros tinham alavancas ou torneiras, outros eram automáticos. Enfim, eu sempre tinha que gastar algum tempo analisando a privada até descobrir como aquela funcionava. Achava o fim.

Catão said...

Na verdade essa invenção de torneiras alavancas se estende a terras tupiniquins também. Nós que moramos aqui nunca visitamos hotéis em nossas cidades (fora quando você fica sendo mandando de uma lado para o outro igual pingue-pongue pela empresa onde trabalha, mas isso é outra história. O resumo da história é que é muito comum que hotéis tenha este tipo de sistema. Meu problema com sistemas hidráulicos foi com o raio do aquecedor. Aqui no Rio se usa gás encanado, por mais perigoso que isso soe, então o aquecedor de água é à gás. Como o aquecedor da minha casa é velho, a chama piloto precisa ser acessa manualmente, levando um fósforo até o interior do aparelho... adivinhe quanto tempo levei para compreender isto?

Catão said...

PS: Acabei de notar uma meia-dúzia de erros de português...
Finjam que não viram, por favor.

Castello Bianco said...

*Analisa onde foi parar*

Bom...

Tenho amigos que tem esse modelo de "torneira" pra casa, com alavancas e afins... E da primeira vez também custou pra ver como funcionava e, pior, pra ajustar a temperatura e fluxo.

E aqui no apartamento onde moro em Curitiba também tem uma torneira extra que não funciona na pia do banheiro. Além de uma banheira que não funciona (exceto se você tiver vontade de enchê-la com panelas e chaleiras) e um bidê extremamente estético no meio do banheiro com três torneiras coloridas, nenhuma delas com qualquer utilidade (o que torna o bidê um locar pra se empilhar livros, revistas e afins...).

Ah, sim. Oi! =P

Thiago said...

Como o Catão disse, nos hotéis, principalmente em SP, esse tipo de torneira é comum...
Não que eu não tenha sofrido pra entender o funcionamento e queimado o "lombo" fazendo isso... mas eu descobri...
E quanto a coisas inuteis no banheiro... já tentou medir o fluxo de água da sua torneira? Aqui é sempre turbulento, exceto em prédios pequenos que não tem pressão e fica como laminar...

Nana ♠ said...

Aqui em casa temos uma torneira 'nervosa'. O fluxo de água assusta qualquer pessoa que lida com ela pela primeira vez: É como se a torneira 'gritasse': "não me toooooque, hunf" !!! :P
Ah, a válvula de descarga do banheiro do quarto da minha mãe também tem umas crises de vez em quando...

Quanto às torneiras da sua casa, uau! A última vez que eu vi um parzinho desses eu era bem pequena! Se houver outra reforma e resolverem tirá-las, guarde-as, porque são relíquias!!!

Beijos.