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Wednesday, April 9, 2008

Sobre Torneiras

Alguns dias atrás eu estava observando alguns detalhes aqui em casa, quando uma coisa me chamou a atenção. Durante minha estadia nos EUA, meus pais resolveram reformar partes da casa, e quando eu voltei, encontrei meu quarto totalmente reformado, além de reformas em um dos banheiros, e pequenas mudanças do lado de fora da casa. O detalhe que me chamou a atenção, apesar de já fazer parte da casa antes, mas que depois da reforma acabou me deixando bastante intrigado, foram as torneiras.

A maior parte dos chuveiros e pias aqui em casa possuem pares de torneiras, e sempre uma com algum sinal de cor azul, e a outra de cor vermelha, o que supostamente indicaria água quente e água fria, não nesta ordem. Desde que eu moro nesta casa, o que faz MUITO tempo, nunca houve água quente nas torneiras das pias, e nem água fria nos chuveiros (apenas quando os chuveiros queimavam, ou o disjuntor desarmava, ou no caso do chuveiro desligado), portanto as duas torneiras nunca foram necessárias. E eu sempre imaginei, que os pares de torneiras um dia se tornariam totalmente funcionais, com a instalação de um suposto aquecedor (elétrico, ou solar, ou nuclear, ou gravitacional,ou positrônico, ou a gás, ou transdimensional, ou de anti-matéria, etc...). O fato é que o aquecedor nunca fez questão de dar as caras aqui em casa, e nem foi ao menos procurado, pelo menos não nos últimos 27 anos.

Ao notar a reforma do banheiro, e constatar uma translação e rotação na posição da pia, e consequentemente a mudança das torneiras do lugar. E o mesmo acontecendo com o chuveiro, e suas torneiras, conclui que houvera a mudança no sistema de encanamentos do suposto recinto. Mas o que me intrigou foi que os pares de torneiras ainda continuam presentes... Eu não acho que vá haver a instalação de nenhum aquecedor aqui em casa nas próximas décadas. Mas mesmo assim, as torneiras "azul" e "vermelha" foram mantidas. O mais estranho é que ao abrir a segunda torneira, não há o menor sinal de fluxo de água... Fico imaginando se a torneira não estaria ligada a um pedaço de cano isolado dentro da parede, entre dois pontos aleatórios, sem cruzar nenhuma conexão de água. Antes da reforma, pelo menos costumava sair água, mesmo que de maneira inconstante, das torneiras secundárias, agora não há nem fluxo de ar...

Esse não é um problema apenas da minha casa. Já vi várias casas com pares de torneiras, que deveriam ser de água quente, e de água fria, mas que no fim das contas não possuiam nenhuma funcionalidade além da redundância, e às vezes nem isto, sendo apenas um detalhe estético. Um gasto inútil de recursos monetários na minha opinião. Vou tentar descobrir a funcionalidade dessas torneiras com meus pais, afinal eles devem ter feito isso por algum motivo sinistro, desconhecido pela minha mente...

Isso me faz lembrar do primeiro problema técnico que eu tive que resolver quando cheguei aos EEUU. Não sabia como a torneira do hotel funcionava, e fiquei um tempo tentando descobrir como fazer pra que a água brotasse daquele aparato, que na época, parecia alienígena. Alguns minutos de ponderações depois, acabei descobrindo o segredo. Não existem pares de torneiras lá, e na mesma torneira vc consegue regular o fluxo de água quente e fria, e deixar a água na temperatura mais confortável para o indivíduo. Ao se girar a torneira da esquerda para direita, ou vice-versa, você seleciona se quer a água mais fria ou mais quente (na maioria dos casos), e para controlar o fluxo de água desejado, você deve levantar ou abaixar a torneira. Todas elas parecem alavancas com dois graus de liberdade. Eu demorei alguns minutos girando as torneiras-alavancas de um lado pro outro, me perguntando se por acaso a água do meu quarto não havia acabado, e quase indo reclamar na recepção do hotel. Mas, felizmente, descobri o segundo grau de liberdade da torneira-alavanca antes de passar vergonha na recepção. :P

Após minha mudança para o primeiro apartamento, tive outro problema com torneiras. A torneira-alavanca da pia da cozinha ficava pingando. E todo dia, eu tinha que descobrir a posição exata que ou fazia a água parar de vazar, ou pelo menos minimizava a taxa de pingos por unidade de tempo. Claro, tal ponto de mínimo variava aleatariamente e após cada uso do aparato. Ou seja, após lavar as vasilhas, havia um divergente negativo de minutos, durante o processo de busca pelo elusivo ponto de mínimo.

Finalmente, quando mudei pra segunda casa, outro problema com torneiras. Desta vez com a torneira-alavanca do chuveiro-banheira. Ao invés de dois graus de liberdade, essa só tinha um grau de liberdade. Nos primeiros momentos, eu fiquei tentanto girar a alavanca de um lado pro outro sem sucesso, ela nem se mexia. Tanto o fluxo de água, quanto a temperatura da água eram controlados apenas por um grau de liberdade. Você puxava a torneira para cima, e a água começava a jorrar, e se você levantasse mais a água ficava mais quente, e se abaixasse a água ficava mais fria. Além disso tinha uma trava, que dependendo da posição fazia a água ou sair pela torneira para encher a banheira, ou então sair pelo chuveiro. Parecia óbvio, mas foram alguns minutos até o momento de elucidação sobre o funcionamento do sistema torneira-alavanca-trava-banheira-chuveiro. Orgulho-me de ter conseguido, sem ter necessitado de ajuda de ninguém, ou em outras palavras, sem ter passado vergonha. :P

Se você leitor, algum dia resolver visitar os EUA, já sabe como as torneiras funcionam por lá, e se você estiver com sede, e a pessoa pegar um copo e enchê-lo com água da torneira e te oferecer, não se assuste, é assim que funciona na maioria das vezes, e ninguém morre com cólera...

P.S.: O último texto foi o número (6 x 6 x 6).

Monday, March 10, 2008

Last 19 hours...

So it is time to go back to Brasil again. These are my last hours in Ann Arbor. In this moment I am much more sad than anxious. Sad not because I don't want to go back to Brasil, but because I had to say "goodbye" to a lot of people I will surely miss. I never thought it would be so difficult to go back home.

I can say for sure, that the time I spent here will never be forgotten. It was one of the most amazing, and challenging experiences in my life. I am sure I am not the same Gustavo that left Brasil almost 10 months ago. When I arrived in Ann Arbor, I was totally alone, I did not knew anyone, and had no place to stay but a hotel room. It was fun to start everything from 'zero', but it was not easy. I survived more than one month without having a computer, and almost three months without Internet at home. I could barely understand what people said to me, and it was almost impossible to follow conversations. I lived totally alone for 2 months, and I had to learn how to cook basic stuff, and how to take care of my place (that is fun actually). During these 2 months there were days when I talked to no one at all... Many days without saying a simple word to anybody. And sometimes I felt really depressed... I also had a hurting heart, that was still trying to heal...

A lot changed after that. I don't know if all the changes were for the good though, but I learned a lot here. My cooking skills have improved a little bit (I guess I have 2 points of cooking, instead of just one). Now I am able to follow most of the conversations I hear, and I had not problem in understanding people talking in English anymore. My heart is fully healed now, and ready for the nearby future... I have met a bunch of people. Some of them just passed through my life, and I am sure I will never hear about them anymore. People that I thought were friends, but turned to be a great disappointment. And people who I will remember through all my life, and I really hope to meet again someday...

My last few days here showed my a critical fault in my personality, and something that must be changed at all costs.

My view about the United States, and the Americans had changed totally while I was here too. But I will tell about it in another post, in the near future.

I just wanted the World to be a smaller place...

Thursday, November 29, 2007

Picasa Albuns And Blog Updates

Just a small update. I uploaded some new pictures to Picasa. Some pictures of the trip do Washington DC, and some pictures of Ann Arbor, my house here, and the neighborhood. There is even a video showing The Cube.

I also updated the links section of the blog. Added some new links, and divided the old section in two. One for other people blogs, and another for general web pages. And also added a new javascript applet that shows some currency rates (I usually follow these exchange rates in a daily basis, so I decided to add them to my blog in order to not waste time looking fro these rates everyday).

Wednesday, November 21, 2007

Washington D.C. - Saturday

Saturday morning we left Fairfax, and then we went to The Mall in Washington DC. The Mall is like a gigantic corridor that goes from the Capitol Building to the Lincoln Memorial. It is about 3km from one side to the other, and at the sides there are nothing less than 6 Smithsonian Museums (National Museum of American History, National Museum of Natural History, National Gallery of Art, National Museum of the American Indian, National Air and Space Museum, National Museum of African Art), there are other art galleries too, the United States Botanic Garden, and a lot of amazing monuments. Needless to say that is impossible to visit everything around there in just two days. In the middle of the Mall, between the Capitol and the Lincoln Memorial, is the Washington Monument, that huge Obelisk, that I never thought was so huge, but it is almost 170m high, and you can actually go inside it, and then see the city from above.

Our first stop was near the Washington Monument, to get the tickets (free) to go inside it later, and after that I had to go to the National Air and Space Museum. My friend did not like the idea of going there, but as she had never been there, she went with me. Even, she being an astrophysicist and all, she thought those things were just boring. But those are the kind of things that make my eyes shine with glee (totally nerd stuff). Inside the Museum there are many replicas, and real pieces of equipment used in space missions, and also from a lot of airplanes. The replicas are most of the time, REAL size replicas. There is a real size Hubble Space Telescope Replica there, and I never thought the Hubble was that huge. After seeing that I started to think about the size of the Space Shuttle, that could carry the HST in one piece to its orbit. There is also a real size replica of the SkyLab, the first US space station, and you can actually go inside that. Some real planes scattered throughout the Museum, even a true Boeing 747. The place was simply amazing. I was awed inside that place.

When we enter the astronomy gallery, a place full of telescopes, and telling the history of astronomical observations, there was a guy pointing the a small telescope to a place in the wall, where there is a small image of the moon. I barely payed any attention to that, but my friend (also an astrophysicist), decided to look at that, and then the man decided to explain how a telescope works to her. The man asked some "rethorical" questions while explaining it, and she was answering every one correctly to him, but the guy only insisted that she was interested and kept going. I was not there, she told me she was having some fun, and decided not to tell him that she was an astronomer. :P

After that we kept walking through the Museum, I was awed and she bored. I will have to compensate her for that some day. We stop in the museum gift shop, and I had to buy a lot of stuff, but unfortunately I did not have much money to spend with that. If I had I would keep buying and buying... It is worth to note that she was so bored inside there that she was almost fainting from boredom!! Hehehehe... (Right, Lica?)

After that we took a walk to the Capitol building, and wow... I want to have a place like that to live one day. We did not go inside, unfortunately, so I don't have an idea yet, about how my place is going to look like from the inside. But I don't care, I will use the outside as just a model for that, and the inside I can create based on the outside architecture, with a lot of rooms, secret rooms, secret passages, and things like that.

From the Capitol building to the Washington Monument. We went inside the Monument, and then we went up by elevator. There is a staircase inside with more tha 900 steps, but I guess it is closed to the public. The view from that place was awesome. It is the highest "building" in the city, and so we could see most of the city from that height. Inside the Monument, in the walls following the staircase, are the Memorial Stones, huge blocks of stones, each a gift from an US State or from an foreign country, US cities, US groups, or Masons (Actually each one is made from a different material, like silver, gold, jade, wood, cooper, etc... And every one beautifully crafted.) Unfortunately we could not see them properly, we just could see a few of them, while the elevator was going down, and a guy was explaining about these stones to us inside the elevator.

Around 17h the Sun was already setting, and we continued our way to the Lincoln Memorial, but in the way there are other Memorials. The World War II Memorial is a huge fountain surrounded by pillars, and each pillar representing one US State. Very beautiful. Then we went to the Vietnan War Memorial, a colossal wall, covered by a black reflecting stone, with the names of ALL the soldiers that died during the conflict. Gloomy. Also, near, was the Korean War Memorial, a lot of life-like real-size soldier statues, positioned as if they were walking through a battlefield.

When we reached the Lincoln Memorial it was already dark. There is not too much to say about it. Inside there is this giant Lincoln Statue sitting in something like a throne, and wondering about something. It was beautiful, flawless. Around the wall there are some writings, and some drawings, and sculptures. We spent some time there, to rest a little bit, and the we started walk back to the subway station and to get back home.
When we got home we were totally broken, we just ate something, and rested for the rest of the night.

I have not gone to the White House, but I could see it when I was inside the Washington Monument sighting deck. I could also see the Pentagon Building from there.

This day was worth my trip to Washington DC, and I have to return there someday to visit the other museums. But the trip was not over yet.

Tuesday, November 20, 2007

Washington D.C. - Friday

The trip to Washington D.C. was fantastic. I have left Ann Arbor at Friday morning, and the trip was uneventful until DC. Only a small 20min delay suffered by the bus that took me from Dulles Int'l Airport to Rosslyn Metro Station, where I met my friend. She had to wait me a little bit before we finally met. After that we found a place where we lunched. It was a kind of self-service chinese restaurant. Excellent food by the way... It was near the Rosslyn Metro Station, but I forgot the name.

In that restaurant, when we arrived, there were two military guys. One of them fully clothed in military outfit, but the other one, was civil outfits, like he was dressed as a kind of politician, or high ranking person. We were in the table just behind them, and while my friend went to take her food, I started listening to their conversation. Of course, I could not understand everything being said, and they were talking like friends, but what catch my attention was that they were speaking about military technology, nano-technology applied to military technology and things like that. I could not figure out exactly what they were talking about, but I guess it was some kind of secret military technology. Cool... I was so inconspicuous I could be a spy. I guess they don't even noticed that I was trying to pay attention. If my listening was better I could have all that information. (I guess it is time to get worried about being followed by undercover agents. :P)

After lunch we took the train from Rosslyn station to Fairfax, where my friend lives. I was carrying my camping backpack, totally full, and my notebook backpack, so I had to left my luggage somewhere before going out to start the tour through the area. After reaching Fairfax, we went to her house, where she lives with other two house mates, and I left my luggage there. It was already getting dark (around 17h), so we just decided to take a walk around her house in Fairfax, while we talked about random things. We bought some stuff to eat, and then we went back home. We just stayed at home after that. I met her other house mates, we ate something, and stayed there just talking and doing nothing, planning the other day. One of her friends, was watching a very old TV show, "Saved by the Bell" or something like that. It was a comedy show about some teenagers around their 16 years old, at the start of the 90's. It was fun to watch it, and remember when I watched it ages ago, but I never watched it that much anyway, and I know why, it is not good... I had some fun watching it, just for the sake of the old days.

Wednesday, October 17, 2007

Situação geral do momento...

Após alguns dias sem Internet em casa, estou conectado novamente ao mundo. A temperatura aqui em Ann Arbor tem se mantido abaixo dos 20oC todos os dias, chegando a quase zero durante as noites. Tem uma chance bem grande da primeira neve cair ainda este mês, e eu estou torcendo pra isso. O calor que eu senti aqui, durante o verão, ainda precisa ser compensado, e acho que a partir de agora, só vou sentir calor novamente quando estiver de volta ao Brasil.

O trabalho está andando, finalmente. O meu código, como podem notar pelo "post" anterior, está finalmente funcionando, e aparentemente, funcionando bem. Os resultados do programa começam a fazer sentido, mas alguns detalhes ainda necessitam de ser acertados. Até o final desta semana, pretendo já estar com esta parte toda terminada. Após o término dessa parte, é hora de começar a fazer um estudo do espaço de parâmetros do programa, e comparar com os resultados antigos do programa, e então começar a modelar dados observacionais. Acho que já consigo começar a visualizar um artigo num futuro próximo, e um doutorado quase encaminhado! Oh Yeah!!

Está na hora de começar a pensar no que será de mim, após o doutorado. Adiei demais esse fatídico momento, mas estou ficando sem escolhas. Grande parte das minhas decisões futuras, vão depender diretamente das coisas que ainda estão pra acontecer por aqui, então, só após minha volta é que as coisas devem começar a tomar um pouco mais de forma na minha cabeça. E claro, existem outros fatores não-profissionais que podem influenciar numa escolha, mas só o tempo sabe o que o futuro me reserva, ainda.

Mas de uma coisa eu tenho certeza, após um tempo vivendo aqui, e algumas experiência na Europa, apesar da saudades que eu tenho do Brasil, eu ando ficando com preguiça demais de lá. Sinto saudades da família, de BH, dos amigos e da comida, não fosse isto, eu sinceramente, não teria vontade nenhuma de voltar. A maior diferença, e com certeza a coisa que eu vou mais sentir falta aqui, é o respeito que as pessoas, pelo menos demonstram ter, uma pelas outras. Não é igual no Brasil, onde cada um quer ser mais esperto que o outro, e no fim das contas, o que importa é passar a perna nos outros e sempre sair ganhando. (Este tal de "jeitinho" brasileiro é o que fode com o nosso país.) O grande motivo das coisas funcionarem da maneira correta por aqui está baseado nessa regra básica de convivência em sociedade. Eu vivo numa cidade relativamente pequena aqui, mas é uma cidade pequena que tem toda uma estrutura de cidade grande. Não falta nada aqui, aliás... falta apenas um restaurante com comida brasileira, que definitivamente, é a melhor comida do mundo! Eu não sei como é a vida numa cidade grande americana ainda, com certeza os problemas são parecidos com os problemas de uma cidade grande no Brasil, mas tenho certeza que numa escala menor. Em relação aos americanos estúpidos, felizmente ainda não encontrei nenhum deles, mas existem tantos brasileiros estúpidos quanto americanos e quanto gente de qualquer outra nacionalidade estúpida, o que muda é apenas o tipo de estupidez.

Antes de vir pra cá, eu não nego que tinha um certo preconceito contra os EEUU, mas após um tempo aqui, eu já vejo as coisas de uma maneira muito diferente. Os problemas existem aqui, como em qualquer outro lugar do mundo, mas são problemas que, geralmente, me revoltam menos do que certos problemas básicos brasileiros.

Saturday, September 29, 2007

Mais figuras singulares...

Parando de falar um pouco de trabalho, já que minhas duas últimas postagens falaram disto, e também voltando a escrever um pouco na língua materna, vou falar um pouco sobre duas figuras singulares que eu costumo ver quando pego ônibus aqui. Existem outras, mas estas duas foram as que me chamaram mais a minha atenção esta semana. Nenhuma delas eu encontro frequentemente, mas são figuras recorrentes na linha de ônibus que eu pego.

A primeira delas é um garoto, com seus 20 e poucos anos. Só pela aparência, ele já se destaca no meio das pessoas. Na realidade o que se destaca é a barriga do garoto, e sua aparente intensão de mostrar a barriga para todas as pessoas ao redor dele. O menino aparentemente tem lordose, e este fato deixa sua barriga um pouco mais protuberante que o normal. Mas a sua aparência não é o fato que chama mais a atenção. O sujeito tem uma cara de "total loser" americano, e por incrível que pareça, isto acaba influenciando a personalidade ou a sanidade das pessoas aqui de maneira muito cruel. O ponto é: ele sempre chega no ponto de ônibus, e se vê uma garota no ponto de ônibus, qualquer garota, ele pára por um momento do lado da menina, a olha com olhos insanamente inocentes, e diz: "Hello! How is it going?". Esperando uma resposta. Geralmente isso, mais o olhar, o gesto e a postura do sujeito, acaba assustando demais a menina em questão, e elas simplesmente o ignoram, ou, algumas poucas vezes, a menina responde, mais por pena do que por vontade mesmo. Triste, mas apenas mais um dos excluídos, ainda "vestidos pela mãe" (como disse uma amiga daqui), que eu vivo encontrando nos ônibus por aqui.

O outro sujeito já é totalmente diferente. Ele iria passar totalmente despercebido, não fosse por ontem, quando peguei o mesmo ônibus que ele voltando p'ra casa. É um sujeito alto, com seus 40 e poucos anos, muito bem vestido, cabelos grisalhos, e que eu tenho certeza, faz várias mulheres suspirarem. Muito bem apessoado. Ontem, eu já estava sentado dentro do ônibus apenas esperando o horário do ônibus sair do ponto, e o sujeito entra carregando várias revistas. Ele acentou-se numa das poltronas que ficam encostadas na lateral do ônibus, e isto ajudou eu ter uma visão melhor das revistas que ele carregava. Não prestei atenção inicialmente em sua pessoa, já que ele realmente é alguém que exala uma certa normalidade. Até o momento em que ele começou a folear as revistas. Percebi que parecia ser uma revista de moda masculina, ou algo do tipo. Nas primeiras páginas folheadas havia várias fotos de homens vestidos de ternos e coisas do tipo. Pensei comigo mesmo: "É. Vendo como ele se veste, acho que ele realmente gosta de estar por dentro da moda." Ia deixar isso quieto, mas de repente o sujeito começa a passar as páginas da revista de uma maneira mais tensa. E em todas as páginas, pelo que eu percebi de longe, só havia anúncios de roupas masculinas. No momento que o sujeito, virou a página, viu mais um destes anúncios, viu o cara da foto, e mordeu o punho (eu não sei por estar se por estar reprimindo uma certa tensão sexual crescente dentro de si, ou simplesmente nervoso com a quantidade de anúncios da revista) eu quase comecei a gargalhar dentro do ônibus. Mais um tempo, e aparece um anúncio com um cara sem camisa. Nessa hora, o sujeito olhou pr'aquela foto, talvez tenha dado um desses suspiros fantasiosos, ele olhou para o alto, fez aquele sinal de negação com a cabeça, respirou fundo, e mudou a página de maneira tensa de novo. Ele só ficou quieto, quando apareceram textos na revista. Aí ele ficou mais tranquilo e começou a ler tranquilamente os textos. Mas sempre que começavam a aparecer mais fotos e anúncios de moda masculina, ele ficava nervoso novamente. Bom... Interpretem como quiser, mas a mordidinha no punho depois de ver uma foto de homem numa revista, não me engana não! Só faltou soltar um gritinho de "Ui!!". Se ele realmente não quisesse ver os anúncios, e fosse a quantidade absurda de anúncios na revista que o estivesse deixando nervoso, acho que uma busca rápida pela revista ia levá-lo diretamente aos textos que o interessavam, mas ao invés disso ele estava realmente folheado folha por folha! Eu achei muito engraçado a tensão (sexual?) reprimida do sujeito, e a mordidinha no punho! HAUhUAHUAHuHAuhAUhUAa...

Assim que ver mais figuras engraçadas no ônibus eu conto, se realmente valer a pena... :P

Thursday, September 13, 2007

"Losers" e os ônibus de Ann Arbor

Os EEUU é um país de pessoas motorizadas, e inclusive já falei sobre isto numa postagem anterior. Estou voltando ao assunto, pois como não sou uma pessoa motorizada, eu necessito utilizar o transporte coletivo da cidade, e o utilizando já há algum tempo, cheguei a algumas conclusões... O transporte coletivo funciona bem, geralmente, mas o número de linhas e horários é bem escasso. A cidade é pequena, então é compreensivo o número escasso de linhas de ônibus. A falta de horários, pra mim é um problema grave, afinal eu dependo dos ônibus, e a linha que eu pego só passa a cada meia hora nos horários normais, e a cada uma hora apenas, a partir das 18h48. E é um saco ficar esperando até o horário do próximo ônibus. Mas falar disso não é bem meu objetivo aqui hoje.

Eu quero falar das pessoas que eu vejo nos ônibus daqui. Não que eu seja preconceituoso, mas a maioria das pessoas mais velhas que pegam ônibus aqui, tem aquela cara de "loser" americano. É impressionante, dá pra identificar muito bem essas pessoas. Algumas pessoas que parecem que já perderam toda a esperança na vida, outras com cara de psicopatas, uns sujeitos de meia-idade que percebe-se que não fazem nada da vida, e que moram sozinhos ou com a mãe até hoje, e coisas do gênero. As pessoas mais jovens que pegam os ônibus são mais normais, afinal aqui é uma cidade universitária, e nem todo mundo vai de carro pro Campus. Os ônibus nunca estão cheios, a maioria das vezes várias pessoas espalhadas pelos assentos.

Ontem quando voltada pra casa, estava dentro do ônibus e de repente entra um sujeito grande, gordo com uma trouxa gigante, do que eu suponho serem roupas recém lavadas. Um sujeito com uma trouxa de roupas gigante dentro do ônibus. Nada demais, pelo menos não aqui. Não foi isso que me chamou a atenção. Ele assentou-se numa das poltronas do ônibus com sua mega-trouxa do lado, e eu comecei a observá-lo discretamente. Definitivamente, ele tinha cara de "loser" americano. Um sujeito na casa dos 40 anos, com cara de quem mora sozinho, solteiro, sem namorada ou esposa, e provavelmente sem amigos. Alguns dentes faltando, e um olhar meio sinistro... Observando-o um tempo, percebi que ele conversava sozinho, baixo, mas não era discreto... Na realidade, ele estava claramente conversando com alguém que não existia, não era consigo mesmo... Ele olhava pro lado e falava, e ria, e fazia caras estranhas... Percebi que, às vezes, ele olhava para uma menina, até bonitinha, que estava em outra poltrona acompanhada de um outro sujeito. Ele olhava e resmungava alguma coisa. Quando a menina deu sinal pra descer do ônibus, eu senti uma certa inquietação vinda dele, e um olhar meio insano. Naquele momento, eu realmente fiquei receoso de que o cara ia tentar alguma coisa com a menina. Mas ele não fez nada... Olhou a menina, como se olha uma presa, pela última vez, e comentou alguma coisa com seu amigo invisível. Uns dois pontos depois, ele desceu do ônibus e foi embora com sua trouxa de roupas, talvez sua única amiga em todo o mundo... Os seus propósitos nefastos permanecem ainda um mistério, e talvez um dia eu volte a encontrá-lo no ônibus.

Foi só um exemplo. Já vi várias outras pessoas estranhas nos ônibus, e todo dia encontro mais uma. No Brasil, andar de ônibus é uma coisa normal, aqui, me parece que somente os excluídos fazem isso... Será que eu sou um dos excluídos? :P

Sunday, September 2, 2007

Após algumas mudanças...

Finalmente, após dois dias muito ocupado com coisas da mudança, parece que está tudo resolvido. A mudança ocorreu ontem a noite. O antigo dono do quarto ainda estava acabando de retirar seus pertences, então acabei tendo que dormir no sofá. Hoje pela manhã, já estava tudo limpo, e foi só rearrumar as coisas. Felizmente, todos os meus pertences se resumiam a uma mala gigante cheia de roupas, algumas roupas dentro de uma mochila de acampamento, duas mochilas menores e uma caixa com o resto das coisas menores: livros, alguns artigos, computador, CDs, cabos, papéis em geral, etc... Então, foi relativamente rápido rearranjar as coisas. O quarto tem uma cama, uma mesinha improvisada, e um closet, mas ainda não tenho gavetas pra guardar nada. Consegui alguns cabides, mas parte das minhas roupas ainda estão na mala, no chão do closet. Vou precisar de uma mesa decente, e algumas gavetas por aqui logo, espero resolver isto num futuro não muito distante.

O casal de indianos que moravam aqui, outros dois ex-inquilinos da casa, que também são meio-donos, passaram o dia juntando as coisas. Eles saem daqui hoje, e estão no meio do processo de mudança. Um novo inquilino também deve chegar a qualquer momento. Então a casa, no momento, está num estado meta-estável. Novas instabilidades podem aparecer a qualquer momento. Tem um outro casal de namorados morando na casa, meus vizinhos de quarto (donos da outra metade da casa), e parecem ser bem legais. Espero que não seja apenas uma primeira impressão ilusória.

No final das contas, um saiu ontem ao mesmo tempo que eu estava chegando e dois saem e um outro chega hoje. E a situação se estabiliza a partir de amanhã.

Ainda preciso dar uma volta nas vizinhanças pra fazer um reconhecimento geral do terreno ao redor. Mas acho que hoje, eu já estou meio morto pra fazer esse reconhecimento de forma satisfatória. Hoje eu apenas vou me familiarizar com as pessoas novas, com o quarto novo, e com a casa nova. Amanhã eu saio pra dar uma volta geral.

Estamos no início de um dos raríssimos feriados prolongados aqui nos EEUU. Segunda-feira é o famoso "Labor's Day" aqui, e que por algum motivo obscuro é comemorado numa data totalmente diferente do resto do mundo (1o. de maio). E a partir da próxima semana, o novo semestre recomeça na universidade. Então, de alguns dias pra cá, a população local aumentou de forma considerável, a antiga tranquilidade começou a desaparecer. Além disso, hoje começou a nova temporada de futebol americano universitário, e o maior estádio de futebol americano dos EEUU (Michigan Stadium) se localiza em Ann Arbor, coincidentemente, exatamente em frente a minha antiga moradia. Felizmente, sai de lá um dia antes do primeiro jogo. Imagino que o lugar deve ter ficado intransitável e insuportável durante a maior parte do dia de hoje. Este é outro fato que faz com que a população local cresça mais durante os próximos finais de semana, e enquanto durarem os jogos. Infelizmente, o time da University of Michigan, "Michigan Wolverines", perdeu o primeiro jogo, pr'um time que aparentemente não é muito bom.

Acho que a partir de agora, eu vou conhecer a verdadeira vida em Ann Arbor, os verdadeiros habitantes que fazem a cidade andar...

P.S.: Só espero que a influência maligna dO Cubo não chegue até aqui, onde eu moro agora. :P

Monday, August 13, 2007

Sirenes de Ann Arbor

Uma coisa legal. Amanhã, em algum momento do dia aqui em Ann Arbor, serão testadas as sirenes da cidade. Elas servem para trazer o caos e o desespero às pessoas da cidade em caso de um ataque nuclear, químico ou biológico, invasão alienígena, ou no caso de um simples tornado!

O engraçado é que em caso de uma simples tempestade, já anunciam na TV, falando quando ela deve começar, mostram o possível caminho da tempestade pela cidade, prevendo quando ela vai terminar. Uma vez, a TV simplesmente parou de transmitir o sinal de audio do canal sintonizado, e em seu lugar entrou um anúncio, todo chiado, falando da tempestade de raios que estava chegando sobre a cidade. Imagina um anúncio desse tipo em meio a sirenes! Wow!! Puro Caos! ]-]

E o pior é que eu estou louco para que algo do tipo aconteça enquanto eu estiver aqui. Pelo menos um "tornadozinho", só pra dar emoção! :P

Update: As sirenes tocaram e eu só ouvi um barulhinho bem longe. Coisa mais sem graça! Bah...

Os Carros e seus americanos...

Nunca tinha visto nenhum tipo de campanha para doações aqui nos EEUU até pouco tempo atrás. Talvez quando o inverno estiver chegando apareçam campanhas de doação de agasalhos, mas eu realmente não espero que isso aconteça. Mas o que me chamou a atenção nesta campanha foi o bem pedido para as doações. Carros!!! Algo do tipo: "Você não precisa mais do seu carro velho, mas ele pode trazer a felicidade para uma família necessitada." E no final aparecia uma família, os pais e dois filhos, com cara de tristeza devido à falta do bendito carro. Pelo visto, quem não tem carro aqui nos EEUU é praticamente um indigente.

(Eu sou um indigente aqui! Todo mundo deve ter pena de mim!) :/
:P

A industria automotiva americana anda passando por um período de crise. O número de carros nacionais vendidos por aqui está diminuindo bastante em relação ao número de carros importados em geral, principalmente em relação aos carros japoneses. Detroit que é a capital automotiva dos EEUU, está longe dos seus dias de glórias passados. Eu ainda não fui a Detroit, apesar de ser bem perto de Ann Arbor, mas me disseram que não tem muito o que se fazer por lá, e a cidade tem se empobrecido cada vez mais devido a essa crise. Eu ainda vou visitar Detroit, quando tiver uma boa oportunidade.

Outro dia, na TV estava passando um comercial, onde uma das empresas automobilísticas americanas enaltecia todas as tecnologias que haviam sido desenvolvidas e disponobilizadas em seus carros durante sua história. Tudo isso para que no final anunciassem um novo produto em cada um dos seus carros novos, uma garantia vitalícia para o cada um dos seus carros. Se eu não me engano a garantia vitalícia é só para o "drivetrain" (não sei como traduzir isso), que são praticamente todos os componentes que fazem os carros se movimentarem: motores, transmissão, direção, câmbio, eixos, etc. Ou seja, nunca mais se preocupe se a parte motora do seu carro parar de funcionar, a empresa garante para sempre o seu funcionamento. Bom, continuei vendo TV, e de repente vi um anúncio parecido, mas era de outra marca de carros. O mesmo estilo, mostrando todas as tecnologias desenvolvidas durantes os anos por ela, e no final dando a mesma garantia vitalícia para os mesmo componentes. E depois vi mais algumas outras empresas, todas americanas, com o mesmo tipo de comercial. Pelo visto a crise das empresas de automóveis aqui está mesmo grande, todas elas dando garantia vitalícia em seus carros, e elas nem tem o trabalho de fazer campanhas de marketing diferentes para anunciar a mesma garantia.

Carros são tão importantes aqui, que tem gente que prefere ficar sem casa do que sem carro. Afinal, se ela perder a casa pode dormir dentro do carro! :P

E eu nunca vi tantas marcas diferentes de carros como aqui. Quando cheguei me perguntei como é possível uma industria sobreviver, em meio a tantas marcas diferentes, e tendo que vender vários modelos diferentes de carros!? Tudo isso sabendo que as pessoas não trocam de carro todo ano. Agora vendo a importância que os americanos dão as carros, eu entendo como elas sobrevivem, e o porquê de tanto medo em relação à dominação estrangeira dentro desse mercado.

Carros são muito baratos aqui. Com o dinheiro que você gastaria pra comprar um destes carros populares aí no Brasil, sem opcional nenhum, aqui você compra um que demonstraria um certo status no Brasil, e com todos os opcionais que você encontra aí. Um pirralho de 16 anos tira carteira, e já ganha um carro dos pais, normalmente um carro velho e usado, mas que já deixa o menino feliz, e que o transforma em um "adulto", como se fosse um rito de passagem. É claro, o menino pode já tem o direito de dirigir sem problema por todo o território americano, mas aí dele se for pego tomando uma cerveja com o pai e/ou amigos dentro de casa! Cerveja e qualquer outro tipo de bebida alcóolica só depois de 21 anos, e dentro de recintos fechados. Se for pego tomando qualquer bebida no meio da rua, vai preso! :P

Depois eu continuo...