Weekend Adventurers near a rivulet at Serra Morena. From left to right: Gustavo (me), Thiago our "guide" (not being able to make a pose after setting his camera to shoot automatically and then after setting the timer correctly), and Chico. Moments before crossing the deadly slippery rivulet. Fortunately no lives were lost during this dangerous quest. :P
Uttermost (choose at will): Anarchy, Ataxia, Bedlam, Clutter, Chaos, Disarray, Discord, Disorder, Disorganization, Entropy, Free-for-all*, Holy mess*, Lawlessness, Misrule, Mix-up, Mobocracy, Muddle, Pandemonium, Randomness, Rat's nest*, Snarl, Tumult, Turmoil, Unruliness, Xaos, Socks, Frogs, whatever...
Showing posts with label camping. Show all posts
Showing posts with label camping. Show all posts
Sunday, April 15, 2007
Weekend Adventurers
Weekend Adventurers near a rivulet at Serra Morena. From left to right: Gustavo (me), Thiago our "guide" (not being able to make a pose after setting his camera to shoot automatically and then after setting the timer correctly), and Chico. Moments before crossing the deadly slippery rivulet. Fortunately no lives were lost during this dangerous quest. :P
Outro fim de semana, outro acampamento...
Acampei novamente neste fim de semana. Acho que estou querendo aproveitar as belezas do Brasil, antes de ir passar um longo tempo nos Estados Unidos. Desta vez, foi eu e mais dois amigos, e fomos para a Serra do Cipó, mais exatamente na Serra Morena. Um lugar bem perto de Belo Horizonte. Saímos na sexta à tarde de Belo Horizonte de ônibus, e chegamos ao local de desembarque do ônibus às 19h. O lugar era no meio de uma estrada deserta, em frente a três casinhas abandonadas, e dali deveríamos seguir uma trilha. Um dos meus amigos já tinha feito a caminhada por essa trilha, e achamos que ele sabia onde estava indo. Pegamos a trilha, que saia do meio das três casinhas abandonadas, no escuro, somente com a luz das lanternas para nos guiar. Invadimos algumas propriedades privadas, e continuamos seguindo a trilha, até descobrir uma hora depois que ela não estava nos levando onde queríamos... Achamos uma casinha iluminada nos arredores da trilha, e resolvemos pedir informações aos seus habitantes. Chamamos, as pessoas na casa que estavam alegres, de repente fizeram um silêncio. Chamamos de novo, e apareceu alguém, e após um tempo a pessoa, um homem um pouco grande com um porrete na mão, resolveu ir nos atender. Perguntamos sobre o lugar onde queríamos ir, e o sujeito nos indicou uma direção, de maneira meio apreensiva. Conversamos um pouco, e ele acabou ficando mais tranquilo, depois seguimos na direção indicada. Seguimos mais um pouco, e chegamos numa estrada de terra.
Todo o ponto de seguir a trilha, era que seguindo-a, atravessaríamos algums propriedades privadas sem chamar atenção nenhuma, e no final dela encontraríamos uma pequena área de camping escondida, e dessa área teríamos acesso a algumas cachoeiras sem a necessidade de pagar para visitá-las e nem para acampar ali perto. :P
Quando chegamos na estrada, todo o nosso plano foi inicialmente por água abaixo. Partindo dali, em qualquer lugar que chegássemos seria pela porta da frente. De qualquer maneira seguimos. Já estava muito escuro, e já tínhamos desistido de encontrar a trilha certa. Seguimos, e achamos a entrada de uma pousada aberta, mas totalmente abandonada. Fomos adentrando o local, e achamos a sede iluminada. Resolvemos então chegar para pedir informação, e de repente quando nos aproximávamos, alguém começa a gritar chamando nossa atenção. Estava escuro, e só percebemos a silhueta "um pouco gorda". O sujeito, que a partir de agora será conhecido como "O Gordão", ou "O Baleia" como foi denominado pelo Chico, um dos companheiros de empreitada, era o dono da pousada. Ele achou que estávamos invadindo o território dele, e começou a passar um sermão, dizendo que aquilo ali era uma propriedade particular, e que não éramos bem-vindos ali, e que não poderíamos acampar em lugar nenhum ali dentro, pois não havia mais área de camping ali, e que se quiséssemos acampar em qualquer lugar deveríamos pedir permissão antes, e procurar uma área de camping. Como vocês podem notar, ele não foi o que eu posso chamar de um cara simpático. Após este fato, ele pediu para que nos retirássemos de sua propriedade, e ainda chamou três capatazes para nos escoltarem até a portaria.
Na portaria ele resolve encrencar com a gente de novo. Perguntamos pra ele sobre até onde iam os limites da propriedade dele para que não tivéssemos mais problema com a critaura, e ele simplesmente não quis nos informar. Disse apenas que se nos visse em sua propriedade novamente, ele chamaria a polícia. (Só se a polícia viesse de helicóptero. O lugar era no meio do nada, praticamente sem acessos para veículos auto-motores terrestres.) Ainda nos mostrou uma placa, na portaria aberta, escura e abandonada de sua pousada, dizendo que quem quisesse entrar pra visitar deveria pagar R$10,00. Felizmente, ele só ficou na ameaça, e não nos fez pagar tal taxa. Fomos embora, e ele ainda ficou um tempo vigiando para ter certeza que realmente estávamos indo embora.
Sem saber para onde ir, continuamos seguindo a estrada, "um pouco chateados" com as boas-maneiras do Gordão. Andamos, andamos, pegamos uma trilha que não nos levou a lugar nenhum, voltamos para a estrada, andamos, andamos, andamos... Finalmente após um longo tempo de caminhada, encontramos uma placa indicando uma área de camping. Seguimos o caminho, que foi muito longo, e após uns 30 minutos desde a placa da área de camping, encontramos uma casinha com as luzes todas apagadas. Chegamos, e os cachorros começaram a fazer uma algazarra, e algum tempo depois, quando já achávamos que não havia ninguém ali, as luzes se acenderam. Um senhor apareceu na janela, perguntamos se podíamos acampar ali, e ele disse que o preço era de R$12,00 por cabeça por dia. Tentamos pechincar, e conseguimos diminuir o preço para R$10,00 por cabeça por dia. O importante foi que agora já sabíamos onde acampar. Armamos as barracas, comemos, bebemos e dormimos...
Acordamos no sábado. Pagamos a diária, perguntamos para o filho do senhor que nos recebeu a noite sobre a trilha para as cachoeiras, dizendo que estavámos indo embora até a estrada, mas que antes queríamos nadar um pouco nas cachoeiras. (A trilha para a estrada, a que nós queríamos ter feito no dia anterior, passava pelo terreno deste senhor, e as cachoeiras também estavam no mesmo terreno.) Ele nos indicou gentilmente o caminho e partimos em direção às águas. Após nem 10 minutos de caminhada encontramos um córrego, com uma pequena queda d'água. Alguns malabarismos com as mochilas, calças e botas depois, conseguimos atravessar o córrego, sem maiores problemas. Logo depois, a trilha continuava, e a uns 100 metros desde pequena queda-d'água, achamos a área que estávamos procurando inicialmente. Totalmente escondida, e que aparentemente era uma área de camping clandestina, e que havia sido usada a muito pouco tempo. Vários restos de fogões de pedras, e fogueiras, áreas de barracas demarcadas, alguns restos de alimentos espalhados, e etc...
Após encontrarmos nossa base de operações para o sábado. Saímos para nadar um pouco, depois almoçamos, montamos acampamento, e novamente a tarde fomos em direção a uma mega-cachoeira que havia ali perto. A cachoeria fazia parte do território onde nós acampamos à noite, mas o Gordão tinha um acordo com o dono deste terreno, e seus hóspedes também podiam usar a cachoeira. Inicialmente, ficamos um pouco receosos com este fato, e o fato de que o Baleia podia ter alguns olheiros dele ali. (Afinal, depois do tanto que ele falou nos nossos ouvidos, achamos que ele queria nos encontrar de novo de qualquer maneira caçando mais encrenca.) Do alto, avistamos a cachoeira, e várias pessoas estavam lá embaixo se divertindo. Após uma pequena deliberação entre eu e o Chico (o Thiago, nosso outro companheiro, tinha resolvido ficar no acampamento com preguiça de descer até a cachoeira), resolvemos chegar lá embaixo. Ninguém nos encheu a paciência, o poço da cachoeira era imenso, e tinha espaço mais que sobrando para todo mundo. Ficamos lá nadando um bom tempo, e eventualmente resolvemos voltar. Mas antes, como que caçando encrenca, resolvemos adentrar novamente no território do Gordão, e avistamos de longe uma outra cachoeira que estava dentro de seu território. Tiramos uma foto, e aí sim resolvemos voltar.
Voltamos por um caminho, escalando algumas pedras em outra cachoeira, o que nos poupou um longo tempo, e uma longa subida. Voltamos ao acampamento, e o Thiago havia feito uma pequena exploração para outros lados do terreno, e havia descoberto a trilha que nos levaria até a estrada no outro dia (a mesma que deveríamos ter seguido na sexta a noite, e que ele disse que conhecia... :P).
A noite foi chegando, pegamos alguns pedaços de madeira "secos" para fazer uma fogueira a noite. Juntamos tudo, e resolvemos esperar ficar mais a noite para acendê-la. Ficamos conversando. Resolvemos acender o nosso mini-fogareiro a gás para fazer um café. Após alguns míseros minutos, o gás acaba. Então resolvemos acender a fogueira. Ninguém tinha levado um único palito de fósforos, o Thiago tinha dois isqueiros, sendo que um deles não funcionava. Tentamos a técnica do lança-chamas com o meu desodorante spray, mas ele não era a base de álcool. O Thiago então resolveu usar o seu outro isqueiro, um Zippo. Tínhamos um pouco de cachaça, e jogamos a cachaça na madeira. O Zippo funcionou bem, a cachaça pegou fogo, mas a porcaria da madeira não estava "totalmente" seca, e no final das contas, nós, um bando de amadores, não conseguiu acender uma pequena fogueira... Infelizmente, nenhum de nós era proficiente nas técnicas antigas para se acender fogo, e as únicas técnicas que conhecíamos era fósforo ou isqueiro + gasolina, alcóol ou querosene... :P
Passamos a noite no escuro, sem fogueira, sem gás para fazer qualquer tipo de alimento cozido, e portanto, comendo só bobagens como biscoitos, amendoins, chocolate, e coisas do tipo. E bebendo suco e/ou cachaça. Felizmente a noite estava limpa, e o céu estava maravilhoso. Num acampamento com dois astrofísicos (eu e o Chico), e um ex-quase-astrônomo (o Thiago), a única coisa possível era ficar viajando olhando as estrelas. Ficamos MUITO tempo olhando o céu, e falando bobagem. Divagando ao mesmo tempo se os clarões que a gente via eram faróis de carro, ou relâmpagos distantes, chegamos a conclusão que eram faróis depois de um longo tempo. Afinal não havia nuvem nenhuma no céu, e o clarão sempre aparecia no mesmo lugar. Quando estávamos quase desistindo de olhar pro céu, e ir dormir, avistamos do outro lado do rio, perto de onde estávamos acampando, dois clarões que iluminaram a montanha inteira de um lado ao outro, com uma luz totalmente homogênea e parcialmente azulada. Aconteceu duas vezes, e depois não vimos mais. Não tinha nenhuma relação com os clarões dos faróis, não podia ser lanterna nenhuma, e ficamos intrigados com aqueles fatos insólitos. Fomos dormir tarde da noite (20:30)!!! :P
Acordamos hoje cedo, levantamos acampamento, comemos, enchemos os cantis de água, e partimos pela trilha que o Thiago havia dito que nos levaria até a estrada. Desta vez ele acertou, e 30 minutos depois de sairmos do acampamento, estávamos na estrada, praticamente no mesmo ponto onde havíamos entrado na sexta-feira a noite, mas alguns metros de distância da trilha que havíamos seguido. (Não 3h depois como no primeiro dia.) Logo na saída desta trilha que nos levou a estrada, havia uma placa com os seguintes dizeres: "Área Privada. Proíbido entrar, acampar, caçar e pescar."
Enfim na estrada novamente, paramos, e esperamos o ônibus. Não fazíamos a menor idéia de que horas passaria um ônibus ali. A estrada era praticamente deserta. Passava um carro a cada 10 minutos. Por sorte, esperamos apenas uma hora até passar um ônibus que nos levaria até BH. Infelizmente uma viagem que normalmente não demoraria 1h e 30min, acabou demorando quase 3h. O ônibus parava em todos os lugares possíveis para pegar passageiros, ou seja andava 2 minutos, e tinha um perdido que dava sinal pro ônibus passar. No final das contas, meio-dia já estávamos novamente em BH, e pouco tempo depois eu já estava novamente no aconchego da minha casa.
Algumas pequenas notas sobre o acampamento. Falar mal do Gordão ou Baleia foi a melhor diversão do acampamento. Ás águas tanto das cachoeiras quanto dos córregos na região eram totalmente cristalinas, e foi muito divertido ficar nadando ali. Em um momento avistamos um gavião que ficou voando perto da gente de um lado para o outro durante longos, e longos momentos. Espetacular vê-lo planando no vento, como se ele controlasse o vento para ir onde ele queria. As noites foram um pouco frias, mas nada que nos fizesse sentir frio dormindo, e felizmente apesar das previsões não choveu uma gota! Foi ótimo!! :)
Todo o ponto de seguir a trilha, era que seguindo-a, atravessaríamos algums propriedades privadas sem chamar atenção nenhuma, e no final dela encontraríamos uma pequena área de camping escondida, e dessa área teríamos acesso a algumas cachoeiras sem a necessidade de pagar para visitá-las e nem para acampar ali perto. :P
Quando chegamos na estrada, todo o nosso plano foi inicialmente por água abaixo. Partindo dali, em qualquer lugar que chegássemos seria pela porta da frente. De qualquer maneira seguimos. Já estava muito escuro, e já tínhamos desistido de encontrar a trilha certa. Seguimos, e achamos a entrada de uma pousada aberta, mas totalmente abandonada. Fomos adentrando o local, e achamos a sede iluminada. Resolvemos então chegar para pedir informação, e de repente quando nos aproximávamos, alguém começa a gritar chamando nossa atenção. Estava escuro, e só percebemos a silhueta "um pouco gorda". O sujeito, que a partir de agora será conhecido como "O Gordão", ou "O Baleia" como foi denominado pelo Chico, um dos companheiros de empreitada, era o dono da pousada. Ele achou que estávamos invadindo o território dele, e começou a passar um sermão, dizendo que aquilo ali era uma propriedade particular, e que não éramos bem-vindos ali, e que não poderíamos acampar em lugar nenhum ali dentro, pois não havia mais área de camping ali, e que se quiséssemos acampar em qualquer lugar deveríamos pedir permissão antes, e procurar uma área de camping. Como vocês podem notar, ele não foi o que eu posso chamar de um cara simpático. Após este fato, ele pediu para que nos retirássemos de sua propriedade, e ainda chamou três capatazes para nos escoltarem até a portaria.
Na portaria ele resolve encrencar com a gente de novo. Perguntamos pra ele sobre até onde iam os limites da propriedade dele para que não tivéssemos mais problema com a critaura, e ele simplesmente não quis nos informar. Disse apenas que se nos visse em sua propriedade novamente, ele chamaria a polícia. (Só se a polícia viesse de helicóptero. O lugar era no meio do nada, praticamente sem acessos para veículos auto-motores terrestres.) Ainda nos mostrou uma placa, na portaria aberta, escura e abandonada de sua pousada, dizendo que quem quisesse entrar pra visitar deveria pagar R$10,00. Felizmente, ele só ficou na ameaça, e não nos fez pagar tal taxa. Fomos embora, e ele ainda ficou um tempo vigiando para ter certeza que realmente estávamos indo embora.
Sem saber para onde ir, continuamos seguindo a estrada, "um pouco chateados" com as boas-maneiras do Gordão. Andamos, andamos, pegamos uma trilha que não nos levou a lugar nenhum, voltamos para a estrada, andamos, andamos, andamos... Finalmente após um longo tempo de caminhada, encontramos uma placa indicando uma área de camping. Seguimos o caminho, que foi muito longo, e após uns 30 minutos desde a placa da área de camping, encontramos uma casinha com as luzes todas apagadas. Chegamos, e os cachorros começaram a fazer uma algazarra, e algum tempo depois, quando já achávamos que não havia ninguém ali, as luzes se acenderam. Um senhor apareceu na janela, perguntamos se podíamos acampar ali, e ele disse que o preço era de R$12,00 por cabeça por dia. Tentamos pechincar, e conseguimos diminuir o preço para R$10,00 por cabeça por dia. O importante foi que agora já sabíamos onde acampar. Armamos as barracas, comemos, bebemos e dormimos...
Acordamos no sábado. Pagamos a diária, perguntamos para o filho do senhor que nos recebeu a noite sobre a trilha para as cachoeiras, dizendo que estavámos indo embora até a estrada, mas que antes queríamos nadar um pouco nas cachoeiras. (A trilha para a estrada, a que nós queríamos ter feito no dia anterior, passava pelo terreno deste senhor, e as cachoeiras também estavam no mesmo terreno.) Ele nos indicou gentilmente o caminho e partimos em direção às águas. Após nem 10 minutos de caminhada encontramos um córrego, com uma pequena queda d'água. Alguns malabarismos com as mochilas, calças e botas depois, conseguimos atravessar o córrego, sem maiores problemas. Logo depois, a trilha continuava, e a uns 100 metros desde pequena queda-d'água, achamos a área que estávamos procurando inicialmente. Totalmente escondida, e que aparentemente era uma área de camping clandestina, e que havia sido usada a muito pouco tempo. Vários restos de fogões de pedras, e fogueiras, áreas de barracas demarcadas, alguns restos de alimentos espalhados, e etc...
Após encontrarmos nossa base de operações para o sábado. Saímos para nadar um pouco, depois almoçamos, montamos acampamento, e novamente a tarde fomos em direção a uma mega-cachoeira que havia ali perto. A cachoeria fazia parte do território onde nós acampamos à noite, mas o Gordão tinha um acordo com o dono deste terreno, e seus hóspedes também podiam usar a cachoeira. Inicialmente, ficamos um pouco receosos com este fato, e o fato de que o Baleia podia ter alguns olheiros dele ali. (Afinal, depois do tanto que ele falou nos nossos ouvidos, achamos que ele queria nos encontrar de novo de qualquer maneira caçando mais encrenca.) Do alto, avistamos a cachoeira, e várias pessoas estavam lá embaixo se divertindo. Após uma pequena deliberação entre eu e o Chico (o Thiago, nosso outro companheiro, tinha resolvido ficar no acampamento com preguiça de descer até a cachoeira), resolvemos chegar lá embaixo. Ninguém nos encheu a paciência, o poço da cachoeira era imenso, e tinha espaço mais que sobrando para todo mundo. Ficamos lá nadando um bom tempo, e eventualmente resolvemos voltar. Mas antes, como que caçando encrenca, resolvemos adentrar novamente no território do Gordão, e avistamos de longe uma outra cachoeira que estava dentro de seu território. Tiramos uma foto, e aí sim resolvemos voltar.
Voltamos por um caminho, escalando algumas pedras em outra cachoeira, o que nos poupou um longo tempo, e uma longa subida. Voltamos ao acampamento, e o Thiago havia feito uma pequena exploração para outros lados do terreno, e havia descoberto a trilha que nos levaria até a estrada no outro dia (a mesma que deveríamos ter seguido na sexta a noite, e que ele disse que conhecia... :P).
A noite foi chegando, pegamos alguns pedaços de madeira "secos" para fazer uma fogueira a noite. Juntamos tudo, e resolvemos esperar ficar mais a noite para acendê-la. Ficamos conversando. Resolvemos acender o nosso mini-fogareiro a gás para fazer um café. Após alguns míseros minutos, o gás acaba. Então resolvemos acender a fogueira. Ninguém tinha levado um único palito de fósforos, o Thiago tinha dois isqueiros, sendo que um deles não funcionava. Tentamos a técnica do lança-chamas com o meu desodorante spray, mas ele não era a base de álcool. O Thiago então resolveu usar o seu outro isqueiro, um Zippo. Tínhamos um pouco de cachaça, e jogamos a cachaça na madeira. O Zippo funcionou bem, a cachaça pegou fogo, mas a porcaria da madeira não estava "totalmente" seca, e no final das contas, nós, um bando de amadores, não conseguiu acender uma pequena fogueira... Infelizmente, nenhum de nós era proficiente nas técnicas antigas para se acender fogo, e as únicas técnicas que conhecíamos era fósforo ou isqueiro + gasolina, alcóol ou querosene... :P
Passamos a noite no escuro, sem fogueira, sem gás para fazer qualquer tipo de alimento cozido, e portanto, comendo só bobagens como biscoitos, amendoins, chocolate, e coisas do tipo. E bebendo suco e/ou cachaça. Felizmente a noite estava limpa, e o céu estava maravilhoso. Num acampamento com dois astrofísicos (eu e o Chico), e um ex-quase-astrônomo (o Thiago), a única coisa possível era ficar viajando olhando as estrelas. Ficamos MUITO tempo olhando o céu, e falando bobagem. Divagando ao mesmo tempo se os clarões que a gente via eram faróis de carro, ou relâmpagos distantes, chegamos a conclusão que eram faróis depois de um longo tempo. Afinal não havia nuvem nenhuma no céu, e o clarão sempre aparecia no mesmo lugar. Quando estávamos quase desistindo de olhar pro céu, e ir dormir, avistamos do outro lado do rio, perto de onde estávamos acampando, dois clarões que iluminaram a montanha inteira de um lado ao outro, com uma luz totalmente homogênea e parcialmente azulada. Aconteceu duas vezes, e depois não vimos mais. Não tinha nenhuma relação com os clarões dos faróis, não podia ser lanterna nenhuma, e ficamos intrigados com aqueles fatos insólitos. Fomos dormir tarde da noite (20:30)!!! :P
Acordamos hoje cedo, levantamos acampamento, comemos, enchemos os cantis de água, e partimos pela trilha que o Thiago havia dito que nos levaria até a estrada. Desta vez ele acertou, e 30 minutos depois de sairmos do acampamento, estávamos na estrada, praticamente no mesmo ponto onde havíamos entrado na sexta-feira a noite, mas alguns metros de distância da trilha que havíamos seguido. (Não 3h depois como no primeiro dia.) Logo na saída desta trilha que nos levou a estrada, havia uma placa com os seguintes dizeres: "Área Privada. Proíbido entrar, acampar, caçar e pescar."
Enfim na estrada novamente, paramos, e esperamos o ônibus. Não fazíamos a menor idéia de que horas passaria um ônibus ali. A estrada era praticamente deserta. Passava um carro a cada 10 minutos. Por sorte, esperamos apenas uma hora até passar um ônibus que nos levaria até BH. Infelizmente uma viagem que normalmente não demoraria 1h e 30min, acabou demorando quase 3h. O ônibus parava em todos os lugares possíveis para pegar passageiros, ou seja andava 2 minutos, e tinha um perdido que dava sinal pro ônibus passar. No final das contas, meio-dia já estávamos novamente em BH, e pouco tempo depois eu já estava novamente no aconchego da minha casa.
Algumas pequenas notas sobre o acampamento. Falar mal do Gordão ou Baleia foi a melhor diversão do acampamento. Ás águas tanto das cachoeiras quanto dos córregos na região eram totalmente cristalinas, e foi muito divertido ficar nadando ali. Em um momento avistamos um gavião que ficou voando perto da gente de um lado para o outro durante longos, e longos momentos. Espetacular vê-lo planando no vento, como se ele controlasse o vento para ir onde ele queria. As noites foram um pouco frias, mas nada que nos fizesse sentir frio dormindo, e felizmente apesar das previsões não choveu uma gota! Foi ótimo!! :)
Wednesday, April 11, 2007
Pico da Bandeira - Continuação
Sábado
Durante a noite, o frio foi intenso. A sorte foi que eu tinha um isolante térmico debaixo do saco de dormir, sem ele o frio seria praticamente insuportável.
O sábado foi um dia meio parado. Não deu para fazer muita coisa. Durante todo o dia caiu uma chuvinha chata, mas de vez enquando ela dava uma trégua. Durante essas tréguas eu aproveitava pra explorar um pouco a região. Não dava pra ir muito longe, mas deu pra ir a lugares legais, e descobrir umas trilhas escondidas. Devido a chuva também ninguém animou a voltar até o carro e pegar o resto da nossa comida, e de qualquer maneira não conseguiríamos subir com o carro até a Tronqueira. Mas apesar disso, conseguimos nos virar com a comida que tínhamos.
Durante minhas caminhadas solitárias, encontrei ótimos lugares para ficar observando a paisagem, e para pensar e/ou meditar. O lugar era realmente muito bonito.
A partir das 18h, a chuva começou e não parou mais por um bom tempo. Eu, Sarah e Thomas entramos na minha barraca e ficamos conversando lá por horas. Os nossos planos eram de acordar 2:30 da manhã do outro dia, e subir até o Pico da Bandeira para ver o Sol nascer. Pouco depois das 20h resolvemos dormir, para descansarmos para a subida da madrugada.
Domingo
00:30 - Acordo sentindo um pouco de frio. Fico um tempo acordado, e neste tempo percebo algo errado com meu joelho. Meu joelho esquerdo estava doendo um pouco, e parecia estar meio inchado. Fiquei preocupado com a situação, e com o grande esforço ao qual ele seria exposto, mas voltei a dormir logo depois.
2:00 - O despertador toca para começarmos a nos preparar para a subida. Meu joelho ainda doendo, e aparentemente continua inchado, por isso eu decido não subir. Seriam 4,5km de subida, e depois a a volta até o acampamento, e além disso mais de 10km de descida com uma mochila pesada nas costas que o exporia a condições extremas, pelo menos para o meu joelho não tão acostumado com tanto esforço. A Sarah e o Tomás sobem. Eu volto a dormir.
8:30 - Depois de suportar o frio extremo da noite, e de ter uma noite razoávelmente boa de sono, acordo. Meus companheiros ainda não voltaram. Depois de acordar resolvo dar umas voltas sozinho para pensar, e viajar na paisagem.
10:30 - Meus companheiros voltam, começamos a desarmar o acampamento, e preparamos um pequeno almoço. O camping já está praticamente vazio. A maioria dos outros campistas já havia descido. Conseguimos um pacote de pão de forma que havia sido abandonado por outro grupo, que resolveu se desfazer do resto da comida para não ter que levar peso de volta.
12:00 - Iniciamos a caminhada de volta. Somos os últimos a sair do acampamento. A caminhada foi mais tranquila e mais fácil do que na vinda, apesar do Sol intenso. E dessa vez foi possível ver toda a paisagem que não foi possível ver na noite da vinda.
Chegamos na Troqueira, e ali perto havia uma cachoeira. Resolvemos passar lá, e ficar um tempo, descansando. Logo depois voltamos ao nosso caminho, e começamos a descer até a entrada do Parque.
15:45 - Chegamos na entrada do Parque, pegamos o carro e começamos a viagem de volta até Ponte Nova para deixar o Tomaz, para depois seguir até Belo Horizonte.
18:30 - Chegamos em Ponte Nova. Indo em direção a rodoviária da cidade, a correia, que havia sido trocada dois dias antes, arrebenta novamente. Desta vez era domingo de Páscoa a noite. A Sarah aciona o seguro novamente, mas devido ao feriado, o guincho demora muito a chegar. Neste meio tempo, o Thomas vai para a rodoviária pegar seu ônibus para Viçosa.
20:00 - O guincho chega, e vamos em direção até Mariana. O seguro só da direito que o guincho leve o carro até um raio de 100km, o que só nos deixa em Mariana.
21:00 - Chegamos em Mariana. A Sarah resolve deixar seu carro num posto de gasolina, e pedir um taxi para a seguradora. A seguradora resolve mandar um taxi, mas sem hora para chegar. Ficamos esperando o taxi no posto.
23:00 - O taxista chega, e finalmente continuamos nossa viagem até Belo Horizonte novamente.
Segunda-feira
00:15 - O taxista deixa a Sarah em casa, e agora vamos em direção a minha casa. Quinze minutos depois eu chego em casa. E finalmente a aventura termina. Tomo um bom banho e caio na cama...
No final das contas, foi um ótimo feriado, apesar de todos os reveses. :)
Durante a noite, o frio foi intenso. A sorte foi que eu tinha um isolante térmico debaixo do saco de dormir, sem ele o frio seria praticamente insuportável.
O sábado foi um dia meio parado. Não deu para fazer muita coisa. Durante todo o dia caiu uma chuvinha chata, mas de vez enquando ela dava uma trégua. Durante essas tréguas eu aproveitava pra explorar um pouco a região. Não dava pra ir muito longe, mas deu pra ir a lugares legais, e descobrir umas trilhas escondidas. Devido a chuva também ninguém animou a voltar até o carro e pegar o resto da nossa comida, e de qualquer maneira não conseguiríamos subir com o carro até a Tronqueira. Mas apesar disso, conseguimos nos virar com a comida que tínhamos.
Durante minhas caminhadas solitárias, encontrei ótimos lugares para ficar observando a paisagem, e para pensar e/ou meditar. O lugar era realmente muito bonito.
A partir das 18h, a chuva começou e não parou mais por um bom tempo. Eu, Sarah e Thomas entramos na minha barraca e ficamos conversando lá por horas. Os nossos planos eram de acordar 2:30 da manhã do outro dia, e subir até o Pico da Bandeira para ver o Sol nascer. Pouco depois das 20h resolvemos dormir, para descansarmos para a subida da madrugada.
Domingo
00:30 - Acordo sentindo um pouco de frio. Fico um tempo acordado, e neste tempo percebo algo errado com meu joelho. Meu joelho esquerdo estava doendo um pouco, e parecia estar meio inchado. Fiquei preocupado com a situação, e com o grande esforço ao qual ele seria exposto, mas voltei a dormir logo depois.
2:00 - O despertador toca para começarmos a nos preparar para a subida. Meu joelho ainda doendo, e aparentemente continua inchado, por isso eu decido não subir. Seriam 4,5km de subida, e depois a a volta até o acampamento, e além disso mais de 10km de descida com uma mochila pesada nas costas que o exporia a condições extremas, pelo menos para o meu joelho não tão acostumado com tanto esforço. A Sarah e o Tomás sobem. Eu volto a dormir.
8:30 - Depois de suportar o frio extremo da noite, e de ter uma noite razoávelmente boa de sono, acordo. Meus companheiros ainda não voltaram. Depois de acordar resolvo dar umas voltas sozinho para pensar, e viajar na paisagem.
10:30 - Meus companheiros voltam, começamos a desarmar o acampamento, e preparamos um pequeno almoço. O camping já está praticamente vazio. A maioria dos outros campistas já havia descido. Conseguimos um pacote de pão de forma que havia sido abandonado por outro grupo, que resolveu se desfazer do resto da comida para não ter que levar peso de volta.
12:00 - Iniciamos a caminhada de volta. Somos os últimos a sair do acampamento. A caminhada foi mais tranquila e mais fácil do que na vinda, apesar do Sol intenso. E dessa vez foi possível ver toda a paisagem que não foi possível ver na noite da vinda.
Chegamos na Troqueira, e ali perto havia uma cachoeira. Resolvemos passar lá, e ficar um tempo, descansando. Logo depois voltamos ao nosso caminho, e começamos a descer até a entrada do Parque.
15:45 - Chegamos na entrada do Parque, pegamos o carro e começamos a viagem de volta até Ponte Nova para deixar o Tomaz, para depois seguir até Belo Horizonte.
18:30 - Chegamos em Ponte Nova. Indo em direção a rodoviária da cidade, a correia, que havia sido trocada dois dias antes, arrebenta novamente. Desta vez era domingo de Páscoa a noite. A Sarah aciona o seguro novamente, mas devido ao feriado, o guincho demora muito a chegar. Neste meio tempo, o Thomas vai para a rodoviária pegar seu ônibus para Viçosa.
20:00 - O guincho chega, e vamos em direção até Mariana. O seguro só da direito que o guincho leve o carro até um raio de 100km, o que só nos deixa em Mariana.
21:00 - Chegamos em Mariana. A Sarah resolve deixar seu carro num posto de gasolina, e pedir um taxi para a seguradora. A seguradora resolve mandar um taxi, mas sem hora para chegar. Ficamos esperando o taxi no posto.
23:00 - O taxista chega, e finalmente continuamos nossa viagem até Belo Horizonte novamente.
Segunda-feira
00:15 - O taxista deixa a Sarah em casa, e agora vamos em direção a minha casa. Quinze minutos depois eu chego em casa. E finalmente a aventura termina. Tomo um bom banho e caio na cama...
No final das contas, foi um ótimo feriado, apesar de todos os reveses. :)
Tuesday, April 10, 2007
Pico da Bandeira - A história do acampamento.
Sexta-feira
O dia começa bem cedo.
5:30 - Acordo para terminar de arrumar a mochila para o acampamento.
6:10 - Saio de casa com a maior mochila que eu já carreguei na vida, pesando pelo menos uns 15kg. Todos que passam por mim olham assustados para o tamanho da mochila. Obviamente estou indo acampar. Espero o ônibus por alguns muitos minutos com a colossal mochila nas costas, mal aguentando aquele peso, mas com uma tremenda preguiça de tirar e ter que, literalmente, vesti-la de novo quando o ônibus chegar. Após um tempo eu desisto de ficar carregando aquele peso enquanto o ônibus não passa, e deixo a mochila no chão.
6:30 - O ônibus passa. O motorista vendo o tamanho da mochila abre a porta do meio para que eu possa entrar com aquele monstro, e deixá-la em algum canto, e espera para que eu saia e entre pela porta frontal como dizem as regras, passe pela roleta e pague a passagem.
7:05 - Chego no local esperado para esperar a minha carona. Enquanto espero observo algumas pessoas um tanto quanto singulares passando por mim. Quatro garotOs de uns 18 ou 19 anos, sendo que dois deles estavam de mãos dadas, andando como um casal de namorados e demonstrando a maior tranquilidade, e os outros dois exalando aquela aura de sexualidade reprimida, numa certa tensão sexual. Estavam voltando da famosa balada. Um breve instante de tempo depois, vejo mais duas figuras singulares passando por mim. Dois garotos estranhos um com cabelo meio rosa, e o outro com cabelo meio verde, um deles com um bracelete de espinho no braço, e ambos com aquele ar meio-punk com roupas rasgadas. Uma estranha mistura de punk, headbanger clubber e emo, como se estivesse saído daquela propaganda da Coca-Cola que exalta as diferenças. Realmente muito estranho. Passando mais algum tempo, dois caras passam por mim, e um dele vendo o tamanho daquela mochila nas minhas costas, me cumprimenta e me deseja boa sorte no acampamento. Engraçado, mas divertido. Eu cumprimento de volta, e agradeço ao sujeito.
7:15 - Minha carona, a Sarah, chega e iniciamos nossa jornada rumo ao Parque Nacional do Caparaó, na divisa de Minas Gerais e do Espírito Santo. Mas antes devemos passar em Ponte Nova para pegar um amigo dela que vai seguir viagem conosco.
9:30 - Em algum lugar entre Mariana e Ponte Nova, debaixo de chuva e numa estrada cheia de curvas e não tão bem conservada assim, o carro entra rápido demais numa dessas curvas, começa a derrapar, e dá um giro de 270° saindo de costas pelo acostamento da pista da direita. Felizmente, como não vinha nenhum veículo na direção oposta, e nem seguindo logo atrás da gente, ainda estamos vivos, e o carro não sofreu nenhum arranhão aparente. Depois de ficarmos parados uns 5 minutos na estrada, parados, respirando, continuamos a viagem.
9:45 - Passados alguns minutos após o quase-acidente fatal, ouvimos um barulho vindo da parte da frente do carro. De repente a luz da bateria acende no painel, e a direção do carro que era hidráulica fica mais dura que o normal. Passamos por uma placa indicando um posto logo a frente, e paramos o carro lá. Descobrimos que a correia que controla a direção hidráulica, o alternador, o ar-condicionado, e mais alguma coisa que eu não me lembro, está arrebentada. Os frentistas do posto, em seu otimismo dizem que vai ser difícil encontrar um mecânico, e uma loja de auto-peças aberta, na Sexta-Feira da Paixão, e que é provável o carro só vai poder ser consertado para continuar a viagem no dia seguinte. A Sarah aciona o seguro, que chama um guincho vindo de Mariana, depois liga para o amigo que já está esperando em Ponte Nova, dizendo que é provável que atrasemos um pouco.
10:45 - O guincho chega. Leva o carro até Mariana. O motorista do guincho leva o carro até uma oficina conhecida dela, onde dois mecânicos "workaholics" trabalham. Um deles após ver o problema do carro, diz que vai tentar conseguir a tal correia e desaparece. Alguns minutos depois, e provavelmente após acionar alguns contatos, retorna com a tal correia, e a troca, num processo que demora pouco mais de 10 minutos. Após fazer uma pequena análise, o mecânico repara que uma das polias por onde a correia passa está um pouco fora do lugar, e isso vai fazer com que a correia se desgaste mais rápido.
12:00 - O carro está pronto. A Sarah alguns reais mais pobre, e um pouco traumatizada pede para eu dirigir por parte do trajeto. Novamente nos dirigimos na direção de Ponte Nova.
13:15 - Chegamos em Ponte Nova. Encontramos o Tomaz, uma figura singular, mas muito gente boa, amigo da Sarah, e que vai acampar conosco. Continuamos viagem sem mais problemas até Alto Jequitibá. Vale ressaltar que durante praticamente todo o trajeto fomos assolados pela chuva.
15:30 - Paramos para comer num restaurante na pequena Alto Jequitibá.
16:30 - Chegamos no Parque Nacional do Caparaó. Uma chuvinha fraca estava caindo. Na portaria, fomos informados que a estrada até o primeira camping estava interditada para carros sem tração nas 4 rodas. E que se quiséssemos subir teríamos que deixar o carro, e subir a pé até lá. Uma pequena nota: o primeiro camping, chamado de Tronqueira ficava a 6,5km de distãncia da entrada, e nossa reserva era para o segundo camping, chamado de Terreirão, e se encontrava a 4,5km de distância do primeiro. Outra nota: a entrada do parque está a 1400m de altitude, a Tronqueira fica a 1900m de altitude, e o Terreirão a 2400m de altitude. Temperatura média do Terreirão à noite nesta época está abaixo de zero graus centígrados.
17:00 - Resolvemos subir a pé, mesmo debaixo de chuva. Retiramos algumas coisas "supérfluas" das mochilas, como parte da nossa comida, e alguns outros apetrechos, na esperança de retornar depois. (Nunca voltamos até o dia de vir embora). Com as mochilas, capa de chuva, e blusa de frio, iniciamos a nossa subida. Menos de 10 minutos depois já tinha tirado a capa de chuva e a blusa de frio, devido ao excesso de transpiração. A chuva passou um tempo depois, mas a umidade estava muito alta, e logo, começamos a andar em meio a uma neblina. Depois de 3km subindo até o acampamento, cruzamos com um jipe descendo, pedimos carona até a Tronqueira, e o motorista disse que nos levava até lá em cima por 15 reais. Devido ao meu esgotamento físico com aquela subida, toda aquela umidade, e toda a minha transpiração, aceitamos a proposta do sujeito.
18:50 - Chegamos até a Tranqueira. O ponto mais alto onde veículos terrestres motorizados conseguem chegar. A partir daqui até o Terreirão teríamos que seguir uma trilha no meio do mato, de 4,5km. Colocamos as mochilas nas costas e começamos a subir. Por incrível que pareça, a partir deste ponto, todo o meu cansaço desapareceu, e por algum motivo estranho aquela caminhada, com aquela mochila gigante nas costas começou a me revigorar. O caminho estava totalmente escuro, mas felizmente era uma trilha razoavelmente fácil de se seguir à noite, com lanternas.
19:30 - Encontramos um grupo parado na trilha. Dois casais, com uma quantidade imensa de tralhas. Eles pediram nossa ajuda para carregar as coisas, e resolvemos ajudá-los, e eles seguiram caminho com a gente. Acabei levando além da minha mochila, mais um saco de dormir deste pessoal. Eventualmente, as meninas deste grupo resolviam parar pra descansar, e com isso a caminhada não rendeu tanto quanto deveria. Após 3h de caminhada, seguindo a trilha no escuro, e sem a menor noção de onde estávamos, começamos a ficar meio preocupados, pensando se não tinhamos errado o caminho em algum lugar. Não havia o menor sinal de nenhum camping por perto, nem luzes e nem barulho, sendo que já deveríamos estar bem próximos. Continuamos andando.
22:45 - Uma das meninas do grupo que nos acompanhava começa a passar mal. Eles resolvem parar, e o nosso grupo resolve seguir. Se encontrássemos o acampamento, ligaríamos para eles, para avisar se eles estavam longe ou não. (O meu celular estava com sinal.) Continuamos a caminhada, e menos de 5 minutos depois estávamos no Terreirão. O Terreirão se localizava num pequeno platô, rodeado de pedras, por isso não ouvíamos o barulho, e nem luzes para nos guiar.
23:00 - Chegamos no Terreirão. Mandei uma mensagem para o grupo retardatário. Achamos um local para as barracas e começamos a montar acampamento. A temperatura devia estar abaixo dos 10 graus, mas devido ao grande esforço físico, não estávamos sentindo frio nenhum.
23:30 - Terminamos de montar as barracas. Tudo que queríamos era um bom banho. No camping não tinha água quente, como todo bom camping no meio do nada, mas tinha alguns chuveiros, e banheiros. O Tomás (eu realmente não sei se é Tomaz, Tomás, ou Thomas, por isso vou usar todas as variações, e em algum momento eu devo acertar o nome correto), então, foi o primeiro a resolver tomar banho. Alguns bons minutos depois, ele volta, diz que o banho foi ótimo, mas que a água está fria. A Sarah então acha que é uma boa idéia tomar um banho também, e foi. Ela também volta, feliz da vida, com o banho. Então, após as duas cobaias terem ido, e demonstrado uma certa satisfação, eu decido ir também. Ao chegar no banheiro, ligo a torneira, e percebo que a água não estava fria, ela estava congelante. Só de colocar a mão lá de baixo eu já deixei de sentir a mão. Resultado... Não tomei banho. Tirei a camisa, me molhei um pouco na água, me ensaboeie com a mão rapidamente, e passei água novamente para tirar o sabão. Só para tirar aquele sal residual da transpiração excessiva. Se eu entrasse debaixo daquele chuveiro, eu provavelmente estaria lá até agora, congelado, e ficaria por algumas eras geológicas ali.
Sábado
00:45 - Após o "banho", voltei. Comemos, bebemos e conversamos um pouco antes de ir dormir.
1:15: - Fomos para as barracas e dormimos. Felizmente, só pegamos chuva bem no início da caminhada. Depois o tempo deu uma trégua pra gente, e não chegamos enxarcados no Terreirão.
continua...
Obs.: Os horários não refletem exatamente os horários reais, mas são mais ou menos os citados, e refletem de maneira razoável a passagem do tempo.
O dia começa bem cedo.
5:30 - Acordo para terminar de arrumar a mochila para o acampamento.
6:10 - Saio de casa com a maior mochila que eu já carreguei na vida, pesando pelo menos uns 15kg. Todos que passam por mim olham assustados para o tamanho da mochila. Obviamente estou indo acampar. Espero o ônibus por alguns muitos minutos com a colossal mochila nas costas, mal aguentando aquele peso, mas com uma tremenda preguiça de tirar e ter que, literalmente, vesti-la de novo quando o ônibus chegar. Após um tempo eu desisto de ficar carregando aquele peso enquanto o ônibus não passa, e deixo a mochila no chão.
6:30 - O ônibus passa. O motorista vendo o tamanho da mochila abre a porta do meio para que eu possa entrar com aquele monstro, e deixá-la em algum canto, e espera para que eu saia e entre pela porta frontal como dizem as regras, passe pela roleta e pague a passagem.
7:05 - Chego no local esperado para esperar a minha carona. Enquanto espero observo algumas pessoas um tanto quanto singulares passando por mim. Quatro garotOs de uns 18 ou 19 anos, sendo que dois deles estavam de mãos dadas, andando como um casal de namorados e demonstrando a maior tranquilidade, e os outros dois exalando aquela aura de sexualidade reprimida, numa certa tensão sexual. Estavam voltando da famosa balada. Um breve instante de tempo depois, vejo mais duas figuras singulares passando por mim. Dois garotos estranhos um com cabelo meio rosa, e o outro com cabelo meio verde, um deles com um bracelete de espinho no braço, e ambos com aquele ar meio-punk com roupas rasgadas. Uma estranha mistura de punk, headbanger clubber e emo, como se estivesse saído daquela propaganda da Coca-Cola que exalta as diferenças. Realmente muito estranho. Passando mais algum tempo, dois caras passam por mim, e um dele vendo o tamanho daquela mochila nas minhas costas, me cumprimenta e me deseja boa sorte no acampamento. Engraçado, mas divertido. Eu cumprimento de volta, e agradeço ao sujeito.
7:15 - Minha carona, a Sarah, chega e iniciamos nossa jornada rumo ao Parque Nacional do Caparaó, na divisa de Minas Gerais e do Espírito Santo. Mas antes devemos passar em Ponte Nova para pegar um amigo dela que vai seguir viagem conosco.
9:30 - Em algum lugar entre Mariana e Ponte Nova, debaixo de chuva e numa estrada cheia de curvas e não tão bem conservada assim, o carro entra rápido demais numa dessas curvas, começa a derrapar, e dá um giro de 270° saindo de costas pelo acostamento da pista da direita. Felizmente, como não vinha nenhum veículo na direção oposta, e nem seguindo logo atrás da gente, ainda estamos vivos, e o carro não sofreu nenhum arranhão aparente. Depois de ficarmos parados uns 5 minutos na estrada, parados, respirando, continuamos a viagem.
9:45 - Passados alguns minutos após o quase-acidente fatal, ouvimos um barulho vindo da parte da frente do carro. De repente a luz da bateria acende no painel, e a direção do carro que era hidráulica fica mais dura que o normal. Passamos por uma placa indicando um posto logo a frente, e paramos o carro lá. Descobrimos que a correia que controla a direção hidráulica, o alternador, o ar-condicionado, e mais alguma coisa que eu não me lembro, está arrebentada. Os frentistas do posto, em seu otimismo dizem que vai ser difícil encontrar um mecânico, e uma loja de auto-peças aberta, na Sexta-Feira da Paixão, e que é provável o carro só vai poder ser consertado para continuar a viagem no dia seguinte. A Sarah aciona o seguro, que chama um guincho vindo de Mariana, depois liga para o amigo que já está esperando em Ponte Nova, dizendo que é provável que atrasemos um pouco.
10:45 - O guincho chega. Leva o carro até Mariana. O motorista do guincho leva o carro até uma oficina conhecida dela, onde dois mecânicos "workaholics" trabalham. Um deles após ver o problema do carro, diz que vai tentar conseguir a tal correia e desaparece. Alguns minutos depois, e provavelmente após acionar alguns contatos, retorna com a tal correia, e a troca, num processo que demora pouco mais de 10 minutos. Após fazer uma pequena análise, o mecânico repara que uma das polias por onde a correia passa está um pouco fora do lugar, e isso vai fazer com que a correia se desgaste mais rápido.
12:00 - O carro está pronto. A Sarah alguns reais mais pobre, e um pouco traumatizada pede para eu dirigir por parte do trajeto. Novamente nos dirigimos na direção de Ponte Nova.
13:15 - Chegamos em Ponte Nova. Encontramos o Tomaz, uma figura singular, mas muito gente boa, amigo da Sarah, e que vai acampar conosco. Continuamos viagem sem mais problemas até Alto Jequitibá. Vale ressaltar que durante praticamente todo o trajeto fomos assolados pela chuva.
15:30 - Paramos para comer num restaurante na pequena Alto Jequitibá.
16:30 - Chegamos no Parque Nacional do Caparaó. Uma chuvinha fraca estava caindo. Na portaria, fomos informados que a estrada até o primeira camping estava interditada para carros sem tração nas 4 rodas. E que se quiséssemos subir teríamos que deixar o carro, e subir a pé até lá. Uma pequena nota: o primeiro camping, chamado de Tronqueira ficava a 6,5km de distãncia da entrada, e nossa reserva era para o segundo camping, chamado de Terreirão, e se encontrava a 4,5km de distância do primeiro. Outra nota: a entrada do parque está a 1400m de altitude, a Tronqueira fica a 1900m de altitude, e o Terreirão a 2400m de altitude. Temperatura média do Terreirão à noite nesta época está abaixo de zero graus centígrados.
17:00 - Resolvemos subir a pé, mesmo debaixo de chuva. Retiramos algumas coisas "supérfluas" das mochilas, como parte da nossa comida, e alguns outros apetrechos, na esperança de retornar depois. (Nunca voltamos até o dia de vir embora). Com as mochilas, capa de chuva, e blusa de frio, iniciamos a nossa subida. Menos de 10 minutos depois já tinha tirado a capa de chuva e a blusa de frio, devido ao excesso de transpiração. A chuva passou um tempo depois, mas a umidade estava muito alta, e logo, começamos a andar em meio a uma neblina. Depois de 3km subindo até o acampamento, cruzamos com um jipe descendo, pedimos carona até a Tronqueira, e o motorista disse que nos levava até lá em cima por 15 reais. Devido ao meu esgotamento físico com aquela subida, toda aquela umidade, e toda a minha transpiração, aceitamos a proposta do sujeito.
18:50 - Chegamos até a Tranqueira. O ponto mais alto onde veículos terrestres motorizados conseguem chegar. A partir daqui até o Terreirão teríamos que seguir uma trilha no meio do mato, de 4,5km. Colocamos as mochilas nas costas e começamos a subir. Por incrível que pareça, a partir deste ponto, todo o meu cansaço desapareceu, e por algum motivo estranho aquela caminhada, com aquela mochila gigante nas costas começou a me revigorar. O caminho estava totalmente escuro, mas felizmente era uma trilha razoavelmente fácil de se seguir à noite, com lanternas.
19:30 - Encontramos um grupo parado na trilha. Dois casais, com uma quantidade imensa de tralhas. Eles pediram nossa ajuda para carregar as coisas, e resolvemos ajudá-los, e eles seguiram caminho com a gente. Acabei levando além da minha mochila, mais um saco de dormir deste pessoal. Eventualmente, as meninas deste grupo resolviam parar pra descansar, e com isso a caminhada não rendeu tanto quanto deveria. Após 3h de caminhada, seguindo a trilha no escuro, e sem a menor noção de onde estávamos, começamos a ficar meio preocupados, pensando se não tinhamos errado o caminho em algum lugar. Não havia o menor sinal de nenhum camping por perto, nem luzes e nem barulho, sendo que já deveríamos estar bem próximos. Continuamos andando.
22:45 - Uma das meninas do grupo que nos acompanhava começa a passar mal. Eles resolvem parar, e o nosso grupo resolve seguir. Se encontrássemos o acampamento, ligaríamos para eles, para avisar se eles estavam longe ou não. (O meu celular estava com sinal.) Continuamos a caminhada, e menos de 5 minutos depois estávamos no Terreirão. O Terreirão se localizava num pequeno platô, rodeado de pedras, por isso não ouvíamos o barulho, e nem luzes para nos guiar.
23:00 - Chegamos no Terreirão. Mandei uma mensagem para o grupo retardatário. Achamos um local para as barracas e começamos a montar acampamento. A temperatura devia estar abaixo dos 10 graus, mas devido ao grande esforço físico, não estávamos sentindo frio nenhum.
23:30 - Terminamos de montar as barracas. Tudo que queríamos era um bom banho. No camping não tinha água quente, como todo bom camping no meio do nada, mas tinha alguns chuveiros, e banheiros. O Tomás (eu realmente não sei se é Tomaz, Tomás, ou Thomas, por isso vou usar todas as variações, e em algum momento eu devo acertar o nome correto), então, foi o primeiro a resolver tomar banho. Alguns bons minutos depois, ele volta, diz que o banho foi ótimo, mas que a água está fria. A Sarah então acha que é uma boa idéia tomar um banho também, e foi. Ela também volta, feliz da vida, com o banho. Então, após as duas cobaias terem ido, e demonstrado uma certa satisfação, eu decido ir também. Ao chegar no banheiro, ligo a torneira, e percebo que a água não estava fria, ela estava congelante. Só de colocar a mão lá de baixo eu já deixei de sentir a mão. Resultado... Não tomei banho. Tirei a camisa, me molhei um pouco na água, me ensaboeie com a mão rapidamente, e passei água novamente para tirar o sabão. Só para tirar aquele sal residual da transpiração excessiva. Se eu entrasse debaixo daquele chuveiro, eu provavelmente estaria lá até agora, congelado, e ficaria por algumas eras geológicas ali.
Sábado
00:45 - Após o "banho", voltei. Comemos, bebemos e conversamos um pouco antes de ir dormir.
1:15: - Fomos para as barracas e dormimos. Felizmente, só pegamos chuva bem no início da caminhada. Depois o tempo deu uma trégua pra gente, e não chegamos enxarcados no Terreirão.
continua...
Obs.: Os horários não refletem exatamente os horários reais, mas são mais ou menos os citados, e refletem de maneira razoável a passagem do tempo.
Subscribe to:
Posts (Atom)